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M7 Processo de estabilidade estratégica ao longo do tempo

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Ao contrário do ciclo de escalada descrito no modelo anterior, que se fecha em horas ou dias, este processo opera em uma escala de anos a décadas: cada lado observa as capacidades e o comportamento do outro, ajusta sua própria postura — desenvolvendo, implantando ou reduzindo capacidades — com base no que observa, e essa nova postura é, por sua vez, observada pelo outro ator, reabrindo o mesmo ciclo de observação e ajuste repetidamente.

Este ciclo pode se fechar de duas maneiras opostas. Em um ciclo estabilizador, ambos os lados convergem para um equilíbrio previsível que reduz o incentivo para atacar primeiro, reforçando a mesma destruição mútua assegurada já estabelecida pelo modelo de dissuasão. Em um ciclo desestabilizador, por outro lado, a incerteza sobre as capacidades ou intenções do outro ator o impulsiona a acumular mais capacidades ou a adotar estados de alerta elevados, e essa própria acumulação alimenta a incerteza do outro ator, fechando o ciclo na direção oposta.

O que determina a direção do ciclo é, mais uma vez, a mesma incerteza já descrita pelo modelo de estruturas institucionais: tratados de controle de armas e mecanismos de verificação buscam romper um ciclo desestabilizador reduzindo essa incerteza mútua, assim como fazem no regime de não proliferação.

Portanto, este modelo, que parte da observação mútua entre os atores, conclui mostrando que a estabilidade nuclear global não é um estado fixo, mas sim o resultado cumulativo desse mesmo ciclo de observação e ajuste repetido ao longo de décadas — uma estrutura que complementa, sem substituir, a escalada muito mais rápida das crises descrita pelo modelo anterior.

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