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M3 Processo de destruição urbana em cascata

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Quando essa mesma onda de choque e pulso térmico, já estabelecidos pelo modelo de dano estrutural, chegam quase simultaneamente a uma área urbanizada, geram um dano duplo inicial: colapso ou dano mecânico, por um lado, e ignição, por outro. Esse dano duplo inicial é apenas o começo de um processo muito mais longo, que se estende por horas e dias, bastante distinto do dano instantâneo da própria detonação.

Nos minutos e horas seguintes, os focos secundários de incêndio, previstos pelo modelo de pulso térmico, se propagam por materiais combustíveis e estruturas danificadas. Quanto mais denso e extenso for esse aglomerado de focos, maior a probabilidade de evoluir para o fenômeno de maior escala descrito posteriormente por um modelo de anomalia desse aglomerado. Simultaneamente, os danos diretos às redes de eletricidade, água e comunicações começam a propagar falhas para além da área de dano físico direto, pois esses sistemas são interdependentes: a falta de eletricidade, por exemplo, pode desativar bombas d'água que, em teoria, não sofreram danos mecânicos.

Esse processo se retroalimenta de forma concreta: quanto mais danos os incêndios e as falhas na infraestrutura causam em uma área, mais difícil se torna para os serviços de emergência se deslocarem, se comunicarem e combaterem esses mesmos incêndios, fazendo com que os danos continuem se alastrando com menos capacidade de resposta disponível a cada hora que passa. E, à medida que essa demanda sobre o sistema de saúde dispara, a capacidade dos hospitais próximos pode ter sido reduzida pelos danos diretos do próprio evento.

É por isso que este modelo, que começa com danos mecânicos e térmicos quase simultâneos, conclui mostrando que a verdadeira magnitude da destruição urbana não é medida no momento da detonação, mas sim em como essa mesma cadeia de falhas interdependentes continua a crescer nos dias seguintes, muito depois da onda de choque e do pulso térmico terem passado.

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